Startup que fabrica molhos à base de plantas conquista aporte milionário

A 100 Foods defende molhos e temperos acessíveis em custo, saborosos, saudáveis e sem produtos de origem animal. Foodtech captou investimento anjo e rodada de equity crowdfunding para divulgar sua proposta e criar novos alimentos

Se você ainda acha que usar plantas para substituir produtos de origem animal é um nicho, pense de novo: estudos científicos e startups provam que a opção por uma alimentação plant based veio para ficar.

Uma dessas iniciativas é a 100 Foods. A foodtech entrou no mercado em 2018 e comercializa hoje molhos e temperos plant based, do barbecue à maionese. A startup acabou de conquistar um aporte milionário e usará os recursos para divulgar sua proposta, criar novos alimentos e triplicar o faturamento visto no último ano.

Segundo o The Good Food Institute, o mercado de proteínas alternativas já gera mais de US$ 3 bilhões por ano. O setor pode valer US$ 6,4 bilhões até 2023, segundo a consultoria Baum & Whiteman.

Além de surfar na demanda pelo plant based, a 100 Foods também levanta a bandeira da alimentação saudável. Essa união de propósitos casa com o perfil de muitos brasileiros.

O Brasil é considerado o quinto maior mercado do mundo em alimentos e bebidas saudáveis, com crescimento de 20% ao ano. A média global é de 8%. Uma pesquisa feita com 9 mil brasileiros pelo GFI mostra que três a cada dez brasileiros já praticam a redução no consumo de produtos com origem animal. A saúde foi apontada como o principal motivador.

Ideia de negócio: plant based com saúde
O fundador Paulo Ibri trabalhou com distribuição e marketing em multinacionais como Red Bull (bebidas) e Verde Campo (laticínios). “Sempre fui conectado a esportes e segui dietas rígidas. Vi como o mercado brasileiro de alimentação saudável tendia muito aos lanchinhos, ou snacks. Não havia muitas empresas atuando em trazer saúde no preparo das refeições”, diz Ibri.

A ideia para a 100 Foods surgiu em 2018: reformular produtos já existentes no mercado sem usar produtos de origem animal e trazendo diferenciais como saúde, sabor e preço acessível.

A foodtech começou no ramo de temperos e molhos por ainda não ter muita competição na vertente plant based e ser uma forma simples de incrementar refeições. A 100 Foods tem barbecue, ketchup, maionese e mostarda veganas, sem açúcar, sem sódio e sem corantes artificiais. Alguns substitutos usados são óleo de abacate e ervilhas.

A foodtech comercializa por um comércio eletrônico próprio, mas 80% das vendas estão nos pontos de venda que redistribuem os produtos. Seus molhos e temperos estão em 800 estabelecimentos, como lojas de produtos naturais, mercearias, padarias e supermercados. O tíquete médio vai de R$ 12 a R$ 15. Segundo Ibri, o público da 100 Foods não é necessariamente feito de veganos: o foco está em quem quer ter uma vida mais equilibrada e saudável.

O próximo desafio é popularizar seus produtos para públicos com esse mesmo perfil, mas financeiramente diversos. “Estamos em redes como o St. Marche. O nosso público ainda se concentra nas classes A e B.”

Outro plano é expandir o catálogo de alimentos, posicionando-se menos por molhos e temperos e mais por sua proposta de plant based com saúde. O próximo produto, previsto para o segundo semestre deste ano, será um creme de avelã plant based e sem açúcar nem óleo de palma.

Os recentes investimentos na 100 Foods vão ajudar nesses planos para 2020. A foodtech captou um investimento anjo de R$ 750 mil e também realizou uma rodada de equity crowdfunding de R$ 280 mil (contrato de mútuo conversível). A rodada totalizou cerca de R$ 1 milhão e será usada para marketing (digital ou nos estabelecimentos) e para pesquisa e desenvolvimento.

A 100 Foods faturou R$ 500 mil em 2019. O objetivo é triplicar os ganhos neste ano, mesmo com a pandemia causada pelo novo coronavírus e seus efeitos econômicos. “Sentimentos um pouco de queda nas vendas em abril, principalmente porque não pudemos fazer degustações nos estabelecimentos. Mas, seja nas finanças ou no desenvolvimento de produtos, essa baixa não tirará nossas metas para 2020”, diz o fundador da foodtech.

Fonte: PEGN
Foto: 100 Foods/Divulgação


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