Microsoft amando Linux já não é novidade

Já não é de hoje que a Microsoft tem admitido que estava errada em relação ao a todo o conceito de opensource – como bastantes jornais e blogs de tecnologia por aí estão dizendo. Quem estava atento sabia, que quando o Satya Nadella, recém nomeado CEO da Microsoft, subiu num palco em 2013 usando um iPhone, as coisas seriam diferentes por lá.

A comunidade técnica já usa soluções opensource com a Microsoft há bastante tempo, e o reconhecimento vem vindo inclusive pelo programa Microsoft MVP, que é o reconhecimento de liderança técnica. Desde 2015 a empresa de Redmond tem premiado várias pessoas ligadas ao opensource community, como o Lucas Santas, Erick Wendell e vários outros, e talvez o nome mais icônico para o momento, o Edson Yanaga que é diretor de desenvolvimento do Linux Had Hat e, também, Java Champion. Os mais entusiastas da tecnologia, já tem usado Linux dentro do Windows há anos, e tenho dito isso. Por que agora estão se surpreendendo com a proximidade da Microsoft com o Linux e Open Source?

Sim, a Microsoft nunca foi lá muito fã desse lado claro da luz, na verdade a empresa lutou contra o Linux por anos no auge de seu domínio em desktops. O ex-CEO da Microsoft, Steve Ballmer, nomeou o Linux como “um câncer que se liga em termos de propriedade intelectual a tudo o que toca” em 2001.

É uma visão incrivelmente diferente do atual presidente da Microsoft, Brad Smith, acredita que a empresa estava errada em relação ao código aberto. “A Microsoft estava do lado errado da história quando o código aberto explodiu no início do século, e posso dizer isso sobre mim pessoalmente”, disse Smith em um evento recente do MIT. Smith está na Microsoft há mais de 25 anos e foi um dos advogados seniores da empresa durante suas batalhas com software de código aberto.

A gigante do software agora é o maior colaborador de projetos de código aberto do mundo, superando o Facebook, Docker, Google, Apache e muitos outros. Mais de 50% dos seus servidores, e dos que ela vende – o Azure, usa Linux, e esse número está aumentando cada vez mais.

A Microsoft vem adotando gradualmente o código aberto nos últimos anos, incluindo o PowerShell de código aberto, o Visual Studio Code e até o mecanismo JavaScript original do Microsoft Edge, que honestamente esse último foi abandonado uma vez que toda essa base foi trocada para usar o Chormium – base do Opera e do Google Chrome, sim um projeto opensource que agora é a base do “novo Internet Explorer”. O novo Microsoft Edge é opensource, mais do que isso, as contribuições dadas ao Chromium também chegam no Edge, e vice-versa. Por exemplo, o time do Edge se preocupa muito com acessibilidade e privacidade – algo que é completamente longe da preocupação dos desenvolvedores do Google Chrome, e uma vez que a Microsoft tenha essa preocupação ela chega também ao Chrome que teve bastantes melhoras nesse quesito desde o fim do último ano. Essa é a beleza dessa comunidade.

A Microsoft também fez parceria com a Canonical para trazer o Ubuntu para o Windows 10 e adquiriu o Xamarin para ajudar no desenvolvimento de aplicativos móveis e o GitHub para manter o popular repositório de códigos para desenvolvedores, que quando foi comprado a comunidade não conseguiu ver com bons olhos, porém quando eles compraram o npm neste ano (2020) – que é a ferramenta mais usada por todos os desenvolvedores web – seja React, Angula, Vue ou o velho jQuery, a comunidade ficou realmente animada. Isso significa que a Microsoft tem feito um bom trabalho.

Foram vários anos, mesmo na direção do Steve Ballmer, de aproximação com a comunidade open-source. E tem tecnologia, passou um ano – já era, não é novidade mais.

Vítor Norton
Desenvolvedor web e para Windows há 9 anos, premiado 4 vezes pela Microsoft como profissional de maior valor (Windows Insider MVP) e apaixonado por aprender novas tecnologias.

https://vtnorton.com/


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